A iminente denúncia do STJD contra Abel Ferreira, técnico do Palmeiras, por chutar microfone e invadir o campo durante a partida contra o Mirassol reacendeu o debate sobre a atuação do tribunal. A questão central gira em torno da acusação de que o órgão estaria "reapitando" jogos ao rever lances já avaliados pela arbitragem em campo.
Para o colunista Rodrigo Mattos, não há reapitamento neste caso específico, pois se trata estritamente de uma conduta disciplinar fora das quatro linhas. Ele argumenta que a existência do STJD justifica-se exatamente para punir infrações que fogem ao jogo limpo, independentemente da atuação arbitral. Segundo Mattos, questionar a competência do tribunal por erros de juízo dos árbitros em outros contextos é uma generalização equivocada.
Danilo Lavieri, contudo, faz distinção clara entre punição disciplinar e revisão de lances. Ele aponta que a falta de credibilidade do STJD surge quando o tribunal tenta julgar novamente situações esportivas já decididas pela arbitragem, como no caso envolvendo Kaio Jorge na Copa do Brasil. Para Lavieri, enquanto a conduta de Abel deve ser julgada, a ingerência em lances de jogo compromete a autoridade da arbitragem e a integridade das partidas.
Arnaldo Ribeiro concorda que o episódio de Abel não configura reapitamento, mas critica a postura do Palmeiras. O comentarista afirma que o clube tende a se vitimizar, tratando o técnico como perseguido em vez de cobrar mudança de comportamento. A reincidência penaliza a imagem do clube, que, segundo Ribeiro, quase estimula esse tipo de confronto. A discussão expõe a tensão permanente entre a justiça desportiva e a autonomia da arbitragem no futebol brasileiro.
Perguntas frequentes
O STJD pode reapitar jogos? Não. O STJD julga questões disciplinares e éticas, não lances de jogo que deveriam ser decididos pela arbitragem em campo.
Por que a denúncia contra Abel Ferreira é polêmica? A denúncia visa punir conduta violenta e invasão de campo, mas gera debate sobre se o tribunal está interferindo indevidamente no andamento da partida.
Qual a posição do Palmeiras sobre o caso? O clube tende a tratar o técnico como vítima de perseguição, embora colunistas critiquem a falta de cobrança interna pela reincidência de infrações.
