Um grupo significativo de torcedores da seleção marfinense foi impedido de viajar para os Estados Unidos para acompanhar a Costa do Marfim na Copa do Mundo de 2026. A decisão, confirmada na quinta-feira pelo Comitê Nacional de Torcedores dos Elefantes (CNSE), deve-se à negativa de vistos pelas autoridades americanas, revelando um bloqueio direto à movimentação da torcida africana.

Julien Kouadio Adonis, presidente do CNSE, criticou frontalmente as políticas de imigração vigentes. Segundo Adonis, a rejeção não é casual, mas parte de uma estratégia explícita de exclusão, onde os EUA "não querem ver torcedores de certos países" em seu território. O contexto das restrições remete às rígidas medidas migratórias implementadas durante o governo Donald Trump, que continuam impactando cidadãos de nações específicas, mesmo anos após o término daquele mandato.

O problema transcende a Costa do Marfim. O árbitro somali Omar Artan, eleito o melhor da África em 2025, foi deportado do país antes da competição sob a alegação de supostos vínculos com organizações terroristas. Essa medida impede sua atuação no Mundial, demonstrando que as barreiras também atingem membros da comissão técnica. Outras delegações, incluindo Irã, Haiti, Senegal, Iraque e Uzbequistão, relatam dificuldades semelhantes, como interrogatórios prolongados e inspeções rigorosas. O fato evidencia um padrão de restrição à entrada de profissionais e torcedores de nações do Global South no maior evento esportivo mundial.

Essa situação cria um precedente preocupante para a inclusão real na Copa. Enquanto os Estados Unidos se preparam para sediar o torneio, a exclusão sistemática de partes legítimas do futebol africano e médio-oriental sugere que o aspecto político da imigração pode ditar quem tem o direito de celebrar o esporte no território norte-americano, comprometendo a diversidade que deveria ser a marca do Mundial.

Perguntas frequentes

Por que os torcedores da Costa do Marfim não podem ir aos EUA? Eles tiveram os vistos negados pelas autoridades americanas, um processo descrito pelo CNSE como uma restrição deliberada contra torcedores de certos países africanos.

Outros profissionais foram afetados pelas restrições? Sim. O árbitro somali Omar Artan foi deportado dos EUA sob acusação de vínculos terroristas, impedindo sua atuação na Copa do Mundo de 2026.